A Beleza e a dor
Para o impressionista francês Pierre-Auguste Renoir o mundo era composto por ruas reluzentes, muita luz e vida cotidiana. Apesar da artrite reumatóide que começou a enfrentar aos 50 anos de idade, por volta de 1892, quando estava no auge de sua produção artística não se deu por vencido. À medida que suas deformidades progrediam nas mãos e nos ombros, adaptou sua técnica.
Inventou aparatos para ampliar a área de abrangência de suas pincelas, limitadas a 30cm por 30cm por causa da deformidade no ombro. Assim, pintou “Lês Grandes baigneuses”, entre 1918 e 1919, tela que mede 160cm por 110cm. Após a doença e até o fim da vida pintou mais de 400 telas.
Como Renoir, uma dezena de artistas visuais com enfermidades reumáticas – alguns confirmados, outros, não –, ilustram o livro “A Beleza e a dor – Artistas visuais famosos e suas doenças reumáticas”, do médico reumatologista Valderílio Feijó Azevedo lançado recentemente, em Natal. Embasado em produções científicas, o médico retrata em 136 páginas as nuances do encontro entre o mundo das artes visuais e as doenças reumatológicas.
O livro traz casos como o de Michelangelo, Henri Matisse, Frieda Kahlo, Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho; Peter Paul Rubens; Paul Klee; Raoul Dufy; Manolo Hugué, Antônio Gaudí Y Cornet e Ana Mary Moses, realçando a importância de cada um dos artistas para a história da arte, discutindo suas enfermidades reumáticas e o intrincado mecanismo de entrelaçamento deles com suas produções.
Suas pesquisas começaram em 1999, ano da criação da Associação Paranaense dos Portadores de Doenças Reumáticas (Adore), da qual foi fundador, ao lado de um grupo de pacientes portadores de esclerodermia, e que chegou a ser presidente. “Foi um trabalho de extensa revisão, em um ano e meio de conversas internacionais para fazer descobertas, inclusive em Catalão. Um processo de construção lenta, pois essa temática ainda é pobre nacionalmente”, diz o reumatologista.
- Renoir
- Grandma Moses/ Autor: Dr. Valderílio Feijó
- Aleijadinho / Autor: Dr. Valderílio Feijó
O médico pretende que a sua obra seja fonte de consulta para os colegas médicos e para os professores de arte, mas também para servir de inspiração a pacientes com doenças reumáticas, auxiliando na superação de seus sofrimentos e dor, a partir de exemplos como o de Renoir; de Matisse que inovou em sua técnica intensificando a “decoupagem” ou de Grandma Moses, a pintora mais popular dos Estados Unidos que, aos 70 anos, migrou do bordado em telas para a pintura por causa de sua artrite reumatóide.
A arte, acredita o reumatologista, coordenador de Ensino e Pesquisa da Associação Brasileira de Medicina e Arte, autor, serve como uma terapia complementar, coadjuvante.
“Não é a técnica em si que dá resultados, mas o processo de fazer. Ele é que pode dar o ponto de equilíbrio, ser benéfico, é o lado terapêutico da arte”. Por outro lado, Azevedo defende que o conteúdo humanístico dos cursos de Medicina precisa ser reforçado.
“Acredito que a formação de profissionais que lidam diretamente com a saúde humana passa pela inserção das artes nos seus processos de formação. Hoje, a tecnologia se sobrepõe ao conteúdo humanístico e isso é deletério para o ser humano”, diz, reconhecendo que a operacionalização de um conteúdo artístico no ensino da saúde humana necessita de certo aprofundamento para se atingir resultados satisfatórios.
Ele comemora o fato de a arteterapia ter sido reconhecida como especialidade pelo Ministério da Educação e diz que “é possível utilizar arte para ministrar conteúdos não artísticos. É possível usar conhecimentos médicos para explicar a arte. É possível exemplificar doenças e doentes com manifestações artísticas e indo mais além, acredito, enquanto professor e médico, que é possível mesmo ministrar todo um conteúdo programático médico tendo por foco a arte”.
Edição 04 | Médicos -AGO/2008







Dia 28/04/2010 as 08:00 hs da manha, na Emissora de Rádio Tropical AM 1320, Dr Valderilio Feijó estara participando de uma Entrevista sobre Reumatismo e seu livro A Beleza e a Dor, com o apresentador Carlos Simões. pela WEB http://www.tropicalam1320.com.br/radio.html
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