Dr. José Luiz Gomes do Amaral

Saúde na Organização das Nações Unidas

Já era mais que tempo de presidentes, príncipes, ministros e representantes de diversas organizações da maior relevância reunirem-se novamente para tratar da saúde.

Só em 2008, 36 milhões de pessoas morreram em consequência de doenças crônicas não transmissíveis (DNCT) e 80% destas mortes ocorreram em países não desenvolvidos ou em desenvolvimento. As DNCT, principalmente doenças cardiovasculares, diabetes, câncer e doenças respiratórias crônicas, podem ser consideradas uma epidemia global. Há certamente variações regionais na prevalência destes problemas, porém, mesmo nos países mais pobres, as DCNT em breve ultrapassarão a mortalidade hoje determinada pelas moléstias transmissíveis somadas à mortalidade materna e perinatal e a associada à desnutrição. Acrescenta-se a esse quadro, particularmente entre nós, a relevância cada vez maior que assumem a violência e os transtornos mentais.

Toma-se enfim consciência de que é preciso FAZER. O Brasil deixou no encontro a sua mensagem.

Tive o privilégio de, representando os médicos, compor a delegação brasileira e acompanhar as intervenções. Foram apresentadas, na tribuna principal e nas várias sessões paralelas, propostas e metas que compõem o Plano de ações estratégicas para o enfrentamento de doenças crônicas não transmissíveis no Brasil.

Temos muito o que FAZER.

O plano de ações estratégicas é previsto para desenvolver-se em 10 anos. Nesse período, a sociedade tem de mobilizar-se em torno da consecução de seus objetivos. Os médicos brasileiros têm papel fundamental a cumprir, alinham-se nesta batalha e não pouparão esforços nesse sentido.

Os quatro principais fatores de risco para as DCNT, alimentação inadequada (excesso de sal e açúcar), sedentarismo, tabagismo e ingestão exagerada de álcool, têm de ser energicamente combatidos.

Nessa luta, a Associação Médica Brasileira (AMB) vem desenvolvendo ações em várias frentes, por meio da Comissão de Combate ao Tabagismo, coordenada por Pedro Mirra; Comissão de Combate ao Alcoolismo e Drogas, sob coordenação de Ronaldo Laranjeiras; e Comissão de Obesidade, a cargo de Rogério Toledo.

Fomos dos primeiros, AMB e Associação Paulista de Medicina (APM), a nos alistar no bem-sucedido programa de promoção da atividade física Agita, que começou com Vitor e Sandra Matsudo, em São Caetano do Sul (SP). Foi acolhido por José Guedes, secretário estadual de Saúde de São Paulo, difundiu-se para o Estado como Agita São Paulo e para o restante do país como Agita Brasil. Tornou-se Move for Health no mundo e foi declarado por Margareth Chan, secretária da Organização Mundial de Saúde, como programa prioritário em 2002.

A AMB já tem em atividade a Comissão de Enfrentamento das DCNT, que congrega: Sociedade Brasileira de Cardiologia, Academia Brasileira de Neurologia, Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Sociedade Brasileira de Cancerologia e Sociedade Brasileira de Pneumologia. Estas especialidades já apresentaram o plano de atividades a serem desenvolvidas.

Mauro Ribeiro, presidente da Associação Brasileira de Medina de Tráfego, foi convidado para assumir a Comissão de Acidentes de Trânsito, que tem entre as prioridades contribuir para a redução de acidentes associados a motocicletas.

Em consonância com a posição expressa por Wonchat Subhachaturas, presidente da Associação Médica Mundial (WMA), em nome da Aliança Mundial de Profissionais de Saúde (WHPA) – que reúne ao lado da WMA o Conselho Internacional de Enfermeiros (ICN), Federação Mundial dos Dentistas (FDI), Federação Internacional dos Farmacêuticos (FIP) e Confederação Mundial dos Fisioterapeutas (WCPT) -, a AMB reconhece o papel estratégico das DCNT, sem deixar de considerar a integralidade da atenção à saúde no contexto da realidade das diferentes populações.

Ao entender, sobretudo, que a gravidade dos problemas de saúde tem expressão condicionada a fatores sociais, a AMB não poderia deixar de priorizar a participação dos médicos brasileiros no Congresso Mundial de Determinantes Sociais de Saúde, que será realizado pela OMS e organizado pelo governo brasileiro, no Rio de Janeiro (RJ), entre 19 a 21 de outubro.

Teremos mais uma extraordinária oportunidade de enfrentar o imenso desafio que é vencer as profundas desigualdades que afastam tantos milhões de pessoas da perspectiva de viver com saúde.

Dr. José Luiz Gomes do Amaral, presidente da Associação Médica Brasileira

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 755 other followers