Dra. Simone Diniz
Edição 09 – Clínica Geral | Médicos bemViver - JUNHO 2009
Dra. Simone Leite Diniz de Oliveira – Especialista em Alergia e Imunologia. Pós-graduada pela UFRJ e mebro da Sociedade Brasileira de Alergia e Imunologia – simonediniz@digizap.com.br
De onde vem essa alergia?
Entenda o que é Marcha Atópica
A interação entre fatores genéticos e ambientais tem sido relacionada, em muitos estudos, ao aumento na prevalência das doenças alérgicas. Os fatores ambientais , mudanças no estilo de vida, dieta e aumento da exposição aos alérgenos intradomiciliares estão entre os potenciais fatores desencadeantes.
Até 1970, as doenças alérgicas acometiam 10% da população. Hoje, atingem de 30 a 35 %. Mas de onde vem a alergia e como ela se desencadeia? Alguns estudos sugerem que a exposição a alérgenos, desde o útero, pode influenciar o aparecimento de alergias em crianças geneticamente predispostas. Durante a gestação, fatores como alimentação, toxinas bacterianas, exposição ao tabaco e infecções virais podem estar associados ao desenvolvimento de alergias.
Estudos demonstram que a dermatite atópica pode ser o início da história natural das doenças alérgicas. Trata-se de uma das doenças de pele mais comuns na infância. Seu aparecimento acontece predominantemente nos primeiros dois anos de vida, o que não impede que apareça posteriormente. Cerca de 15% da população infantil brasileira sofre com essa doença, que caracteriza-se por coceira intensa (prurido), vermelhidão (eritema), ressecamento da pele e descamação.
Médicos de todo o mundo realizaram estudos que comprovaram a relação entre a dermatite atópica e o desenvolvimento de outras doenças alérgicas, principalmente rinite e asma. O MAS (Multicenter Atopy Study), um dos maiores estudos realizados na Alemanha sobre o assunto, avaliou 1.314 crianças durante um período de sete anos. Este estudo mostrou que 50% das crianças com até 5 anos de idade que desenvolvem dermatite atópica quando bebês, e pertenciam ao grupo de alto risco (pelo menos dois familiares com problemas alérgicos) tiveram rinite e/ou asma ao longo dos anos.
Essa progressão seqüencial de dermatite atópica, rinite e asma denomina-se MARCHA ATÓPICA, podendo haver predomínio de alguns sintomas em detrimento da melhora de outros, ou em alguns casos, podem coexistir num mesmo indivíduo. Outros estudos demonstram que a marcha atópica pode iniciar com alergia alimentar (Ex: alergia ao leite de vaca).
Na avaliação de pacientes alérgicos é importante se ter em mente o conceito de marcha atópica. Embora, no momento, não existam condições de se alterar o genoma dos pacientes alérgicos, pode-se prevenir o desenvolvimento da marcha atópica; e o melhor modo é intervir nas condições ambientais, assim como fazer o diagnóstico e tratamento precoce e adequado, modificando o seu curso.
É fundamental a redução da sensibilização precoce, tanto através da pele machucada da dermatite atópica, como pelas vias respiratórias; promovendo a retirada de alérgenos do ambiente (ácaros, pêlos de animais, fungos, baratas) onde a criança passa a maior parte do dia.
A exposição passiva à fumaça de cigarro nos primeiros anos de vida e na idade escolar tem sido relacionada às doenças alérgicas, assim como à predisposição a infecções respiratórias , devendo, portanto. ser evitada.
A adequação na dieta materna, aleitamento materno exclusivo, o retardo na exposição à proteína do leite de vaca, em crianças geneticamente predispostas, também podem ter um efeito protetor sobre o desenvolvimento das doenças alérgicas.
O uso de alguns medicamentos como antialérgicos, corticosteróides (tópicos / inalatórios) e antileucotrienos interferem de maneira benéfica na evolução das alergias. A imunoterapia (vacinas) pode alterar o curso natural das doenças alérgicas, especialmente se realizada em conjunto com as outras medidas de controle.
Conter a marcha atópica é um desafio para o especialista. Os esquemas de tratamento devem ser individualizados de acordo com a doença, sua intensidade e gravidade.
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Edição 03 – Compromisso Médico | Médicos – JULHO 2008
Asma brônquica: a prevenção é o melhor tratamento
Embora, atualmente, exista um variado arsenal terapêutico para tratar a asma, a mortalidade continua sendo elevada em todo o mundo. Acredita-se que isto ocorra por dois motivos: 1 – falta de conscientização do paciente que a asma é uma doença crônica, devendo ser tratada continuamente; 2 – falta de acesso aos medicamentos, que além de custo elevado, necessitam de uso prolongado.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que existam cerca de 150 milhões de asmáticos, em todo o mundo, e alerta que esse número está aumentando. A asma brônquica é uma doença inflamatória crônica, que causa um estreitamento das vias aéreas inferiores, caracterizando o broncoespasmo, que pode ser revertido espontaneamente ou através de medicamentos. As manifestações clínicas são: tosse, dor torácica, falta de ar (dispnéia) e chiado no peito (sibilos).
A doença que atinge tanto a população infantil como adulta, e leva, muitas vezes, ao comprometimento da qualidade de vida tem vários fatores desencadeantes de uma crisa, e eles variam individualmente. Os principais são: alérgenos (poeira, ácaros, mofo, pêlos e penas de animais, pólen, baratas); infecções respiratórias (gripes, resfriados, sinusites); exercícios físicos; substâncias irritantes (fumo, ar frio, mudança de temperatura, cheiros fortes, poluição); fatores hormonais; certos tipos de medicamentos, refluxo gastresofágico – passagem involuntária do conteúdo gástrico (estomacal) – para o interior do esôfago e emoções.
Considerada um fator de risco para o desenvolvimento da asma, a rinite alérgica está presente em cerca de 80 a 90% dos pacientes asmáticos. Atualmente, embora seja difícil a cura, a asma tem controle e ele pode ser obtido com base no diagnóstico e em uma orientação terapêutica adequada. Vale alguns alertas: a doença deve ser tratada mesmo quando o paciente está bem, além do que o foco atual deve ser a prevenção, que consiste em evitar os fatores desencadeantes, e o uso de medicamentos como broncodilatadores, antiinflamatórios (corticosteróides sistêmicos e/ou inalatórios), antileucotrienos, anti-IGE e imunoterapia específica (vacinas), dependendo da fase da doença em que o paciente se encontra e da sua gravidade.
O impacto da morbidade e mortalidade da doença requer investimentos com a finalidade de proporcionar o tratamento a toda população asmática, fazendo cair o número de internações e óbitos, e melhorando a qualidade de vida dos doentes. É importante ressaltar que o tratamento das patologias associadas como rinite, dermatite atópica, infecções respiratórias, refluxo gastroesofágico, entre outras, também contribuem para o controle da asma. Em algumas ocasiões o acompanhamento psicoterápico é necessário, pois não podemos separar o corpo da mente. A aceitação da doença por parte da família e do paciente ajuda o médico a conduzir o tratamento de maneira mais eficiente.




Dr. Simone: Meu sobrinho foi encaminhado pelo Dr. João Batista,pediatra de Mossoro, para uma consulta de alergia e eu gostaria de saber se tem q marcar ou não.Tenho urgencia pois ele esta com o corpo todo entaboado e os labios sempre incha e não sabemos o porque.Por favor mim responda com urgencia e se possivel o fone da clinica.
Cara o telefone da clínica da Dra. Simone é 3201-2902. Boa sorte.
Bom dia Drª Simone!
Minha filha Lilianny Karen era sua paciente, ela sofre com a dermatite atópica, ja vai completar 10 anos e agora as crises são mais frequentes. Já fui a vários médicos e não consigo amenizar este problema. Gostaria muito de saber se procurar um tratamento com vacinas, além de algumas providencias com o ambiente pode ajudar?
agradeço a atenção e aproveito a oportunidade para parabenisar pelo artigo.