Dra. Ione Ferreira

 Edição 05 – Compromisso Médico | SETEMBRO 2008

Autismo: diagnóstico e intervenção precoce

Dra. Maria Ione Ferreira da Costa, mestre em Genética, pesquisadora dos Transtornos Globais do Desenvolvimento e Aprendizagem

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Dra. Ione Ferreira

A síndrome do autismo pertence ao grupo dos Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD), que têm em comum alterações qualitativas em três áreas do desenvolvimento: comunicação, comportamento e interações sociais. De acordo com o DSM-IVTR, (2004)[1], o diagnóstico do autismo infantil é caracterizado por um comprometimento no uso de múltiplos comportamentos não-verbais, tais como: contato visual direto, expressão facial, posturas corporais, fracasso em desenvolver habilidades sociais; raras tentativas espontâneas de compartilhar prazer, interesses ou realizações com outras pessoas; falta de reciprocidade social ou emocional; existência de atraso ou ausência da linguagem falada e nos casos em que a fala é adequada, apresenta comprometimento da capacidade de iniciar ou manter uma conversação.

O diagnóstico do autismo é clínico e deve ser realizado por equipe multiprofissional, através de observação minuciosa e aplicação de testes psicométricos específicos, que podem observar até 113 itens, o que demanda tempo e olhar preparado.

Estatísticas internacionais apontam uma incidência de pessoas que apresentam características de TGD de 1 para cada 150[2]. No Brasil, tanto no campo da Saúde quanto no da Educação faltam dados sistematizados sobre quem são, onde estão e como vivem, os serviços oferecidos, o percurso escolar e as possibilidades de escolarização e desenvolvimento. Atuais evidências indicam que múltiplos fatores genéticos são causas determinantes para a maioria de casos de Autismo.

O diagnóstico precoce nos primeiros dois anos de vida é fundamental para o encaminhamento a um programa de intervenção precoce intensivo que contemple, principalmente, a comunicação verbal e não verbal, imitação, processamento sensorial, interações sociais, e recursos de apoio à família e escola.

Quanto a melhor abordagem, não existe uma única, mas um conjunto de estratégias desenvolvidas especificamente para essas crianças e devem ser aplicadas de acordo com a fase do desenvolvimento, o funcionamento social, nível cognitivo, grau de prejuízo na linguagem e o desenvolvimento de habilidades adaptativas, como as de auto-cuidado, por exemplo.  O único consenso na literatura é a importância da identificação e intervenção precoce.

(1) Manual de Diagnóstico Diferencial do DSM-IV-TR™, 2004 Ed. Artes Médicas

 (2) Fombonne (2001, citado por Lopes-Herrera, 2005)

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