Dra. Emília Trigueiro
Edição 01 – Fala Professor | FEV 2008
Formação do médico brasileiro e atuação profissional
Emilia M. Trigueiro M. de Paiva – médica coloproctologista e professora, titular da Academia de Medicina do RN e Conselheira do CREMERN
Desde 2001 que o Conselho Nacional de Educação instituiu as Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de Graduação em Medicina, que definem os princípios, fundamentos, condições e procedimentos da formação de médicos, e tem como perfil a formação de um médico generalista, humanista, com postura crítica e reflexiva em relação ao processo saúde-doença.
Nos seis anos de graduação, este Curso com mais de 7.000 horas/aula, capacita-o a atuar, pautado em princípios éticos, no processo saúde-doença em seus diferentes níveis de atenção, seja na promoção, prevenção, recuperação e reabilitação à saúde, seja na perspectiva da integralidade da assistência, com senso de responsabilidade social e compromisso com a cidadania. Objetiva dotá-lo dos conhecimentos requeridos para o exercício de muitas competências e habilidades:
a) Atenção à saúde, treinados para desenvolver ações de prevenção, promoção, proteção e reabilitação da saúde, tanto individual quanto coletivo e assegurar que sua prática seja realizada de forma integrada e continua com os demais profissionais de saúde, junto ao sistema de saúde vigente no país.
b) Capaz de pensar criticamente, de analisar os problemas da sociedade e de procurar soluções para os mesmos, esses médicos buscam realizar seus serviços dentro dos padrões de qualidade e dos princípios da ética e da bioética, considerando que a responsabilidade da atenção à saúde não se encerra com o ato técnico médico, mas com a resolução do problema de saúde.
c) Treinamento para tomada de decisões, visando eficácia e custo-efetividade, força de trabalho, medicamentos, equipamentos, procedimentos e práticas de forma a avaliar, sistematizar e decidir condutas mais adequadas, baseadas em evidências científicas.
d) Comunicação, buscando ouvir a quem o procura e aos familiares, de forma a conduzir um diagnóstico e obter êxito no tratamento.
e) Liderança com compromisso, responsabilidade, empatia, e gerenciamento em saúde de forma efetiva e eficaz.
f) Educação permanente, para ser capaz de aprender continuamente.
Essa formação generalista, nos seis anos de graduação, busca dotar o profissional dos conhecimentos requeridos para o exercício de competências e habilidades específicas como: promover estilos de vida saudáveis; atuar nos diferentes níveis de atendimento à saúde, com ênfase nos atendimentos das unidades básicas (antigos postos de saúde), e nos atendimentos secundários, estes mais complexos como clínicas e hospitais; comunicar-se adequadamente com os colegas de trabalho, os pacientes e seus familiares; reconstruir com arte a história dos agravos à saúde de quem o procura afim de realizar uma boa história clínica, assim como dominar a arte e a técnica do exame físico, entendendo a pessoa que o procura como um ser humano que vive em sociedade, portanto sujeito a alterações na sua saúde em função do ambiente em que vive, das suas relações com as pessoas com quem convive, e das formas de tratar e cuidar do seu corpo.
A formação do médico generalista o capacita a resolver até 85% dos problemas de saúde da população, pois o ensino-aprendizagem ocorre em diferentes cenários, permitindo ao aluno conhecer e vivenciar situações variadas de vida, da organização da prática e do trabalho em equipe multiprofissional.
Esse profissional é treinado, às vezes de forma exaustiva, durante os dias e nas noites de plantão, a desenvolver o raciocínio crítico na interpretação dos dados do seu paciente, na identificação da natureza dos problemas da medicina cotidiana em prol da vida, ora debruçado sobre livros, ora navegando nos conhecimentos científicos globalizadas, mas também no acompanhamento do processo de morte, fato inexorável no ciclo de vida do ser humano.
A sociedade também precisa do seu médico especialista, que passa por uma formação opcional (Residência Médica) de mais três, quatro ou cinco anos, dependendo da especialidade escolhida. Lembre-se: o médico também é um ser humano que vive e partilha dessa sociedade, que precisa buscar um tempo para cuidar de si e de sua família, e para isso também é contemplado nas Diretrizes Curriculares.
Os três Cursos de Medicina existentes no Estado do RN – o da UFRN-Natal, desde 1956, mas que passou por reestruturação curricular em 2002, o da UERN – Mossoró, funcionando desde 2004, e o da UnP-Natal, iniciado em 2006, têm como princípio de formação dos seus médicos essa medicina generalista e humanizada durante todo processo de graduação, conforme consta nos seus Projetos Pedagógicos.




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