Dr. José Araújo
Edição 09 – Vida a Dois | Médicos bemViver - JUNHO 2009
Sexo: preconceito porquê?
José Araújo de Asevêdo – Psicólogo clínico, psicanalista e psicoterapeuta da sexualidade humana – clinicaja@ibest.com.br
A distância entre os primeiros registros da sexualidade humana e o inicio do 3º milênio da era cristã soma 22 mil anos. Registros esses de uma história e contos de prazeres saudáveis, outros prazeres sofridos e doloridos. História de todo tipo de relação que vai desde registro de pinturas feitas em cavernas até os sites da internet.
A sexualidade é um processo que ocorre de forma natural a função fisiológica, porém atitudes e comportamentos sexuais são puramente aprendidos.
O sexo pode ser visto como algo positivo ou negativo para homens e mulheres e isso vai depender se as nossas atitudes sexuais sejam baseadas na falta de conhecimento, na ignorância ou em conceitos errados. Procurar se informar corretamente sobre a sexualidade humana nos dá a capacidade de proporcionar um bom ajustamento sexual. Infelizmente alguns homens e mulheres mantém-se desinformados.
A consciência sexual nasce no primeiro ano de vida, quando aprendemos que ao tocar nossos órgãos genitais sentimos sensações agradáveis e prazerosas. À medida que crescemos essa sensação torna-se maior, e mais prazerosa.
As experiências de olhar, tocar, em fim de conhecer os genitais têm uma importância muito valiosa para o amadurecimento de atitudes positivas para o nosso corpo e o corpo do outro. É a nossa consciência sexual.
Quando somos crianças aprendemos que os nossos órgãos genitais é algo que deve ser escondido e negado. Referimos-nos chamando por nomes que não pertencem ao conjunto do nosso corpo. Pinto, peru, documentos para o homem. Pi-piu, baratinha, aranha e outros para a mulher.
Uma visão e aprendizagem de que sexo é uma coisa feia, suja, sebosa e pecaminosa por isso nos leva a sentimentos de culpa. Quando atingimos a vida adulta conhecemos e sabemos muito pouco a respeito do nosso corpo e de forma especificadamente dos nossos genitais. Algumas mulheres chegam à vida adulta sem saber nada sobre sexo e alguns homens sabendo tudo errado sobre sexo.
A idéia de que homem que tem o pênis avantajado tem maior impulso e desempenho sexual logo dará maior prazer à mulher e são os preferidos, pois a satisfazem mais, é uma crença falsa.
Na verdade, a área mais sensível da mulher apesar dela sentir todo o corpo como uma grande fonte de prazer, é o clitóris, um órgão pequeno, cilíndrico que se localiza na entrada do vestíbulo, na junção dos pequenos lábios. É ele o ponto foco de prazer sexual da mulher durante a relação quando estimulado pela ação do empurrar e friccionar dos movimentos pélvicos do casal. Um contato direto com o pênis. A vagina como é um órgão elástico se ajusta muito bem ao pênis, seja ele de tamanho grande ou pequeno levando ambos a um momento de muito prazer e satisfação.
Alguns homens podem sentir atração por mulheres com mamas grandes ou com quadris largos, algumas mulheres por homens com pênis grande, o mesmo também é valido para o contrário, isso é natural no ser humano. Uma escolha particular de cada pessoa em si.
Homens e mulheres estão adequados fisicamente e psicologicamente para dar e receber prazer sexual independente de seus atributos. Nessa troca de dar e receber prazer é que os bons amantes se fazem, não nascem feitos.
A capacidade que cada um tem para desfrutar de uma vida sexual agradável depende da profundidade do seu conhecimento, da sua sensibilidade, habilidade, capacidade para fantasiar e de comunicação. Nos momentos de experiência e aprendizagem sexual a dois não existe espaço para os dotes.
É importante procurar limpar da nossa mente os mitos, tabus, crenças, noções preconceituosas e encarar os genitais e a vida sexual como se nunca tivesse encarado antes. Sexo faz muito bem a saúde.
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Edição 02 – Compromisso Médico | Médicos – ABRIL 2008
Compulsão sexual ou impulsividade sexual
Sexo é bom, saudável e necessário. Faz bem a saúde, mas a dependência de sexo pode transtornar a vida de uma pessoa, bio-psico-socialmente. Em 1992, a Organização Mundial de Saúde (OMS) incluiu a impulsividade sexual no código internacional de saúde (CID 10) classificando-a entre os transtornos de hábitos e impulsos não especificados.
O desejo e a atividade sexual são normais e não existem regras nessa área. Assim sendo, é necessário muito cuidado ao tratar da questão.
A compulsão sexual caracteriza-se pela impossibilidade de controlar o impulso sexual e pelo aumento exagerado das relações, o que causa transtornos na vida das pessoas e em sua organização no dia a dia quer seja, no trabalho, no grupo de amigos ou família. Atinge homens e mulheres, seja qual for a orientação sexual, classe social ou idade.
São pessoas geralmente ansiosas que pensam em sexo o dia todo e praticam sempre que conseguem um parceiro. Quando não encontram, se masturbam várias vezes ao dia, inclusive em lugares públicos. São insaciáveis. Mesmo depois de já terem se relacionado com vários parceiros, continuam na busca.
Os dependentes de sexo são pessoas angustiadas e depressivas, pois se culpam pelo que fazem. Os compulsivos tentam seduzir pessoas do seu meio social no trabalho e mesmo na família. As conseqüências vão desde a perda de emprego, amigos e transtornos no meio familiar, além de outros que envolvem a sua participação.
A dificuldade de controle do impulso aumenta o risco de contaminação por doenças sexualmente transmissíveis. Já o tratamento da compulsão sexual inclui terapêutica medicamentosa com ansiolíticos, antidepressivos e, o mais importante, a psicoterapia individual e de grupo, a partir de critérios de uma triagem. Apesar de o processo ser demorado, os resultados são positivos. É fundamental procurar ajuda.
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Sexualidade: da infância à melhor idade
Sexo é uma coisa boa e faz bem a saúde das pessoas em qualquer idade. É tão natural quanto qualquer outra função. Nossos desejos iniciam no cérebro. Desejo por alguma coisa: comida, bebida, sono, eliminação, sexo. Durante a infância os circuitos sexuais são quase inativos, mas estudos têm demonstrado a necessidade e a importância de a criança ser abraçada, acariciada e tocada por pessoas que ela ama. Necessidade de contato e intimidade que persistirá por toda a vida.
As crianças têm uma grande dose de curiosidades sexuais. Essas curiosidades são normais e necessárias ao bom desenvolvimento da sua sexualidade. Por isso, é importante que pais e educadores conheçam essa realidade para evitar atitudes inadequadas e ameaçadoras quando o assunto é sexo. Algumas disfunções sexuais na vida adulta têm origem na infância, resultado de advertências feitas por adultos sem sensibilidade e compreensão da sexualidade humana.
É na adolescência com o aumento da produção de hormônios sexuais que os centros neurais são ativados, capacitando meninos e meninas a experimentarem as primeiras sensações e desejos sexuais. Descobertas para uma vida sexual adulta jovem prazerosa. No início, o impulso sexual para alguns meninos, tende a ser maior em relação a algumas meninas, porém lá na frente o quadro se inverte. As mulheres que atingem a meia idade e tiveram excelentes experiências sexuais ultrapassam os homens, e têm orgasmos com mais qualidade e satisfação em relação a outras mulheres.
À medida que homens e mulheres envelhecem ocorrem mudanças físicas e biológicas, mas as sensações permanecem. Não há qualquer mudança no interesse sexual, nem na resposta ou desempenho sexual. Um grande problema, em nossa cultura, é não aprendermos a lidar com as mudanças que ocorrem com o corpo, ao passar dos anos.
Instalam-se os mitos e crenças a respeito da idade. Por volta dos 45 anos, para alguns homens a ereção peniana sofre algum atraso para acontecer. Alguns não conseguem ter uma ereção tão rígida quanto gostariam.
Outros precisam de um estímulo mais direto e perdem a ereção rapidamente se a parceira não estimular o pênis. No homem mais velho, o fluido seminal sofre uma redução e aumenta o período refratário – momento após a ejaculação, durante o qual o homem fica biologicamente semi-sensível ou insensível a estímulos sexuais por algum tempo. Na mulher, também ocorrem mudanças biológicas, porém pouco notáveis uma vez que seus órgãos são mais internos.
Essas mudanças na mulher de idade mais avançada podem levar a um maior tempo para que ocorra a excitação. As contrações que ocorrem na fase do orgasmo serão um pouco mais reduzidas e todas as reações após voltarão ao normal rapidamente. O aparecimento de sensações desagradáveis poderá ser corrigido ou eliminado com reposição hormonal.
Os fatores que prejudicam o desempenho sexual de homens mais velhos são as doenças biológicas, psicológicas e sociais, além de uma vida sexual monótona e o medo de fracassar. A idade avançada deve ser compreendida por homens e mulheres, como uma fase crítica que irá exigir uma nova adaptação a um corpo modificado e com capacidades diminuídas.
São mudanças normas, inevitáveis e não podem ser vistas com preocupações. Muitos agem a essas mudanças com insatisfações o que desencadeia irritabilidade, muitas vezes depressão. Homens e mulheres devem desenvolver formas de relacionamento sexual para superar essas possíveis dificuldades.
Discuta suas dificuldades sexuais com um terapeuta, procure ter um parceiro ativo e colaborador, estimule as fantasias sexuais. Uma atitude positiva para com a vida possibilitará o interesse pela vida sexual, sem remorsos, culpa ou medo.




gostei muito do assunto
tenho 41 anos e de uns tempos pra cá venho sofrendo com problemas de ejaculação precoce. assisti certa vez uma entrevista sua no TUDO DE BOM a respeito do assunto, na ocasião o Sr. citava alguns exercícios que o homem pode fazer e com isso controlar a ejaculação, se for possível, me indique algum desses exercícios pois o meu casamento está a perigo. conto com a sua ajuda.