Ana Kalline Jerônimo

Oncologista Casa Durval Paiva

Câncer infanto juvenil: segunda causa de óbito em crianças e adolescentes

O câncer é um grupo de doenças que têm em comum o crescimento desordenado de células que acabam invadindo tecidos e órgãos e podem se espalhar para outras regiões do corpo, levando as denominadas metástases. O câncer infanto juvenil acomete crianças e adolescentes entre 0 e 19 anos de idade e, de acordo com estatísticas de 2009 do Instituto Nacional de Câncer, corresponde a 2,5% do total de casos de neoplasias malignas no Brasil. Apesar da sua baixa incidência, o câncer infanto juvenil corresponde a segunda causa de óbito em crianças e adolescentes, principalmente na faixa etária entre 5 e 19 anos, perdendo apenas para outras causas externas, como acidentes.

Não existem fatores determinantes específicos para o surgimento do câncer infanto juvenil, algumas síndromes genéticas podem favorecer o surgimento dessa doença. Algumas outras causas estão associadas à exposição ao cigarro, ao álcool e a inseticidas, no período da gravidez; bem como exposição exagerada ao raio X e outras radiações ionizantes. Mas, a principal causa para o surgimento do câncer infanto juvenil está relacionada a alterações genéticas, ou seja, alterações dentro da própria célula da criança, que passa a se dividir de forma errada, levando ao câncer.

Pelo exposto acima, não há como atuarmos de forma a evitarmos o desenvolvimento do câncer infanto juvenil, sendo nossa principal arma no combate a essa doença tão grave o diagnóstico precoce. Desta forma, conseguiremos aumentar as chances de cura desses pacientes e reduzir o tempo e intensidade de tratamento, minimizando, assim, o sofrimento da criança, do adolescente e de seus familiares.

O desenvolvimento de políticas públicas de saúde que levem a capacitação de profissionais capazes de identificar precocemente os sinais e sintomas de câncer infanto juvenil é de fundamental importância para um melhor e mais efetivo combate a essa doença. Nos últimos anos, tem-se observado o envolvimento científico, principalmente nas áreas de pesquisas, bem como em outros campos do conhecimento, a fim de se determinar novas formas de detecção precoce, de tratamento e acompanhamento da doença. Os resultados são avanços em detecção precoce, tratamento e controle do câncer.

O câncer mais comum na infância é a leucemia (neoplasia que acomete as células do sangue), em segundo lugar (no Brasil) estão os tumores do sistema linfático, os linfomas, seguidos pelos tumores do sistema nervoso central, que acometem o cérebro e a medula vertebral. Outros cânceres comuns na infância são os tumores renais (principalmente o tumor de Wilms), tumores de partes moles e os tumores ósseos, tumores hepáticos e tumores oculares.

É importante lembrar que o câncer infanto juvenil pode se apresentar de diversas formas, na maioria das vezes se assemelhando a doenças comuns da infância. Então, dor óssea, que acorda a criança na madrugada, palidez, manchas roxas na pele, não relacionadas a traumas, aumento do volume abdominal, vômitos logo ao acordar, crises convulsivas, mancha branca no olho que surge com o reflexo da luz, febre prolongada por mais de duas semanas, aumento exagerado das ínguas em qualquer parte do corpo, aumento do testículo da criança, todos esses são sinais do câncer infantil.

A sobrevida no câncer infanto juvenil está relacionada a vários fatores relacionados ao paciente, como sexo e idade, assim como a localização, extensão e tipo de tumor. Porém, a organização do sistema de saúde também contribui para determinar chances diferenciadas de sobrevida, na medida em que estando bem organizado, determina maior facilidade e oportunidade de diagnóstico, tratamento, acompanhamento e suporte multiprofissional e social ao paciente.

Nos países desenvolvidos, a taxa de cura do câncer na criança e no adolescente supera os 70%, porém, no Brasil, ainda não se conseguiu alcançar dados tão positivos, tal fato pode ser devido principalmente à dificuldade na suspeita do diagnóstico. Outro fator que contribui para esse resultado é a grande diferença estrutural dos diversos centros especializados nas diversas regiões do Brasil, principalmente devido à precariedade em algumas regiões do nosso país.

No último dia 23 de novembro, foi referendado o Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantil, mais uma iniciativa para alertar à população e profissionais da saúde sobre essa doença e sua gravidade, bem como promover a importância do diagnóstico precoce do câncer infanto juvenil. Nesse processo, a Casa de Apoio Durval Paiva exerce um papel relevante para o nosso Estado, promovendo campanhas e projetos nas mais diversas áreas, a fim de garantir um suporte às crianças com diagnóstico de câncer e suas famílias, durante o tratamento e após o seu término.

Desta forma, é importante lembrar que estamos todos juntos nesse processo durante todo o ano e que os pais, familiares, professores, agentes de saúde, vizinhos e qualquer profissional ou indivíduo que esteja em contato freqüente com crianças, devem estar sempre alertas aos sinais e sintomas do câncer infanto juvenil. Fazer sempre o acompanhamento pediátrico regular dos seus filhos ou das crianças de sua convivência é fundamental para o combate a essa e outras doenças da infância. E na suspeita clínica do câncer infantil, sempre encaminhar a criança ao oncologista pediátrico. O diagnóstico precoce da doença pode salvar a vida de uma criança.

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